A comemoração dos 46 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) no Pará, marcada para o próximo sábado (14) em Marabá, promete ir muito além de uma simples celebração partidária. O evento deve se transformar em um forte ato político de demonstração de força do partido na disputa pela sucessão estadual de 2026.
A festa acontecerá às 19h, na Casa de Eventos Império, e deverá reunir caravanas de diversos municípios do sudeste paraense. Estão confirmadas importantes lideranças do partido, entre elas os deputados federais Dilvanda Faro e Airton Faleiro, os deputados estaduais Maria do Carmo, Elias Santiago e Carlos Bordalo, além de prefeitos, vereadores e dirigentes partidários de toda a região.
Também participará do encontro o senador Beto Faro, presidente estadual do PT, que tem sido uma das principais vozes do partido nas negociações políticas para as eleições de outubro.
Nos bastidores, a leitura entre os dirigentes petistas é clara: o evento em Marabá servirá como demonstração pública de unidade e pressão política para consolidar o nome do deputado estadual Dirceu ten Caten (foto), como vice-governador na chapa encabeçada pela atual vice-governadora Hana Ghassan (MDB), considerada hoje a principal aposta do grupo governista para suceder o governador Helder Barbalho (MDB).
O problema é que, segundo interlocutores do meio político, o governador Helder Barbalho ainda não estaria convencido da presença do PT na chapa majoritária, preferindo ampliar sua base eleitoral com um nome ligado ao segmento evangélico ou ao agronegócio, setores considerados estratégicos na disputa.
Diante desse cenário, a direção do PT no Pará deposita suas expectativas em uma intervenção direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deverá se reunir com Helder Barbalho ainda neste mês para tratar da sucessão estadual e da formação da aliança política no estado.
Entre os petistas, há quem aposte que Lula poderá lembrar ao governador o peso do apoio do governo federal ao Pará, especialmente com investimentos superiores a R$ 5 bilhões em obras estruturantes em Belém, que viabilizaram a realização da COP30, um dos maiores eventos ambientais do planeta.
Outro ponto frequentemente citado nos bastidores é a presença do ministro das Cidades, Jader Filho, irmão do governador, em uma das pastas mais estratégicas do governo federal — fator que, segundo dirigentes do PT, reforça a expectativa de uma contrapartida política do MDB na composição da chapa estadual.
Mas o PT também já trabalha com um plano alternativo caso fique de fora da chapa governista.
Durante uma reunião recente, o senador Beto Faro teria afirmado que, se o partido não for contemplado na aliança majoritária, não descarta lançar sua própria candidatura ao Governo do Estado.
Nesse mesmo cenário, o deputado Dirceu ten Caten poderia disputar uma vaga ao Senado Federal, movimento que alteraria profundamente o tabuleiro político paraense e poderia embaralhar os planos eleitorais do grupo governista, especialmente as possíveis candidaturas de Hana Ghassan ao governo e do deputado Chicão ao Senado.
Com a aproximação do período de desincompatibilização do governador Helder Barbalho, que deverá deixar o cargo para disputar uma vaga ao Senado, a tendência é que as articulações políticas se intensifiquem nas próximas semanas, envolvendo negociações que passam pelo Palácio do Planalto, pelo Palácio dos Despachos, em Belém, e pela direção nacional do PT.
Assim, o aniversário do partido em Marabá deverá marcar mais do que uma celebração histórica: será um verdadeiro termômetro da força política do PT na disputa pelo poder no Pará.
Carlos Magno
Jornalista – DRT/PA 2627