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Quando fé e finanças se encontram: o caso do Banco Digi+
Por TV E RÁDIO WEB CIDADE
Publicado em 11/04/2026 09:15
INFORMAÇÕES

 

Confesso que, ao ouvir pela primeira vez que o bispo Edir Macedo estaria ligado a um banco, minha reação foi imediata: desconfiança. Em tempos de redes sociais inundadas por desinformação, tudo parecia mais uma dessas histórias que viralizam sem compromisso com a verdade. Mas, ao buscar informações mais detalhadas, descobri que o assunto é real — embora mais complexo do que parece à primeira vista.

 

O nome em questão é o Banco Digi+, uma instituição financeira digital que opera no Brasil com autorização oficial do Banco Central. Diferente do que muitos imaginam, não se trata de um banco “religioso”, nem tampouco de uma instituição fora das regras do sistema financeiro. O Digi+ segue as mesmas normas que qualquer outro banco: precisa cumprir exigências rigorosas de capital, governança, transparência e fiscalização permanente.

 

O ponto que gera polêmica está na estrutura societária. O banco integra um grupo empresarial que possui ligação com investidores associados ao universo empresarial construído ao longo dos anos por Edir Macedo — líder da Igreja Universal do Reino de Deus e também fundador do grupo de mídia Record. Ou seja, não é uma relação direta e simplista como “pastor dono de banco”, mas sim uma participação dentro de um conglomerado empresarial diversificado.

 

E aí surge a pergunta inevitável: como o Banco Central permite isso?

 

A resposta é objetiva — e técnica. No Brasil, qualquer pessoa ou grupo econômico pode participar do sistema financeiro, desde que cumpra os critérios legais. O Banco Central não avalia crença religiosa, ideologia ou atividade paralela dos investidores. O foco é outro: origem lícita dos recursos, capacidade financeira, estrutura de governança e conformidade com a legislação. Se esses requisitos são atendidos, a autorização pode ser concedida.

 

O caso do Digi+ revela, portanto, algo maior do que uma simples curiosidade: mostra como o sistema financeiro brasileiro funciona de forma institucional, baseada em parecer técnicos e não em julgamentos subjetivos.

 

Ainda assim, é compreensível que o tema gere debate. A mistura entre religião, mídia e negócios sempre desperta questionamentos — especialmente em um país como o Brasil, onde essas esferas frequentemente se cruzam.

 

No fim das contas, o que parecia uma “fake news absurda” se revela uma realidade mais complexa — e, sobretudo, regulada.

 

Carlos Magno 

Jornalista DRT/PA 2627

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