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A agricultura europeia frente ao desafio Mercosul: entre a tecnologia e a proteção
Por TV E RÁDIO WEB CIDADE
Publicado em 02/05/2026 10:45
INFORMAÇÕES

 

 

Jornalista Fernando Thompson analisa a preparação do mercado europeu diante do acordo com o Mercosul, em vigor desde 1º de maio de 2026.

 

O setor agrícola europeu atravessa uma transformação estrutural profunda, caracterizada pela substituição do trabalho familiar por modelos empresariais altamente produtivos. De acordo com estudo desenvolvido pela Consulai — uma das consultorias mais respeitadas do setor na Europa —, a produtividade agrícola em Portugal cresceu 277% nas últimas três décadas.

Essa evolução permite que o setor gere hoje muito mais valor com uma base laboral reduzida e profissionalizada, preparando-se para um cenário de maior abertura comercial com a entrada em vigor do acordo entre União Europeia e Mercosul.

 

Para a União Europeia, o acesso dos produtos do Mercosul é visto sob uma ótica de proteção estratégica e rigor técnico. Bruxelas impôs salvaguardas para produtos sensíveis, limitando as importações de carne bovina a apenas 1,5% da produção total da UE e a 1,3% no caso das aves.

 

A Consulai destaca que o setor em Portugal já caminha para uma agricultura de “duas velocidades”, em que regiões como o Alentejo utilizam modelos de grande escala e mecanizados para manter a competitividade frente a grandes produtores externos. O objetivo é garantir que o fluxo de importações não desestabilize a sustentabilidade social e as normas exigentes praticadas no bloco europeu.

 

Paralelamente, a UE vê no acordo uma oportunidade para consolidar seu papel como líder na exportação de bens de alto valor agregado. Com a eliminação de tarifas, as exportações europeias de vinhos, chocolates e azeites para o Mercosul podem crescer cerca de 50% até 2040.

 

A assinatura histórica do tratado ocorreu no Brasil, em 17 de janeiro de 2026, e o acordo entrou em vigor de forma provisória a partir de 1º de maio de 2026, conforme decreto promulgado recentemente.

 

Atualmente, a corrente de comércio entre Brasil e União Europeia atingiu o recorde de US$ 100 bilhões. Projeções do governo brasileiro indicam que o pacto pode acrescentar US$ 9 bilhões ao PIB do país até 2040.

 

Por fim, o estudo da Consulai prevê que o futuro da agricultura dependerá da evolução do trabalhador para um perfil de “operador tecnológico”. Diante da escassez de mão de obra nacional, a resposta estratégica das explorações europeias passa pela automação de tarefas repetitivas e pelo uso de inteligência artificial. Esse avanço tecnológico, aliado a políticas migratórias estáveis e à formação contínua, permitirá à agricultura europeia coexistir com o Mercosul, transformando desafios de concorrência em oportunidades de modernização e liderança digital no campo.

 

(Fernando Thompson – Relatório Reservado)

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