Em uma cerimônia marcada por forte simbolismo institucional, presença das mais altas autoridades da República e discursos em defesa da democracia brasileira, o ministro Kassio Nunes Marques tomou posse, nesta terça-feira (12), na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assumindo oficialmente a missão de conduzir as estratégicas e desafiadoras Eleições Gerais de 2026.
Ao lado do novo vice-presidente da Corte, o ministro André Mendonça, Nunes Marques passa a comandar o chamado “Tribunal da Democracia” em um dos períodos mais sensíveis da história política recente do país, marcado pela crescente ameaça da desinformação digital, pelo avanço acelerado da inteligência artificial nas campanhas eleitorais e pela necessidade de fortalecimento da confiança popular nas urnas eletrônicas.
A sessão solene ocorreu no plenário do TSE, em Brasília, em um ambiente de grande pompa institucional, reunindo representantes dos Três Poderes, ministros de tribunais superiores, integrantes do Ministério Público, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, diplomatas, jornalistas e convidados especiais.

Entre as autoridades presentes estavam o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin; o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre; o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta; o procurador-geral da República, Paulo Gonet; além do ex-presidente da República José Sarney, uma das figuras mais reverenciadas da solenidade.
A ministra Cármen Lúcia, que deixa a Presidência do Tribunal após uma gestão marcada pelo enfrentamento às fake news e pela regulamentação do uso da inteligência artificial nas eleições, conduziu a cerimônia de posse e transmitiu oficialmente o cargo ao novo presidente da Corte.
O Hino Nacional Brasileiro foi executado pela banda dos Fuzileiros Navais, sob regência do suboficial músico Sérgio Renato da Silva, conferindo ainda mais solenidade ao evento.

Defesa da soberania popular e das urnas eletrônicas
Em um discurso firme, institucional e voltado à defesa da democracia, Nunes Marques destacou que o maior homenageado da solenidade era o próprio povo brasileiro.
“O destino da democracia brasileira continuará a ser escrito pela vontade livre e soberana do povo brasileiro”, afirmou o novo presidente do TSE.
O ministro enfatizou que cabe à Justiça Eleitoral garantir eleições limpas, transparentes e seguras, assegurando que cada voto depositado nas urnas represente fielmente a vontade popular.
Nunes Marques também voltou a defender de forma contundente o sistema eletrônico de votação brasileiro, classificando as urnas eletrônicas como patrimônio institucional da democracia nacional.
Segundo ele, o sistema brasileiro de votação é atualmente um dos mais modernos, seguros e eficientes do mundo, sendo fruto de permanente aperfeiçoamento tecnológico e institucional.
“Nosso sistema eletrônico constitui patrimônio da democracia brasileira e deve ser continuamente fortalecido e aperfeiçoado”, declarou.
Inteligência artificial e fake news serão os maiores desafios de 2026
Um dos pontos centrais do discurso do novo presidente do TSE foi o alerta sobre os riscos do uso descontrolado da inteligência artificial nas campanhas eleitorais.
Nunes Marques afirmou que o avanço tecnológico representa simultaneamente oportunidades e ameaças para a democracia, sobretudo diante do crescimento da disseminação de conteúdos manipulados, deepfakes e campanhas de desinformação.
“Devemos estar atentos às novas tecnologias que, quando mal utilizadas, podem representar graves ameaças ao processo democrático”, alertou.
Segundo o magistrado, a Justiça Eleitoral terá papel decisivo no combate à manipulação do debate público e na preservação da verdade informativa durante o pleito de 2026.
O novo presidente ressaltou ainda que a democracia não pode ser sequestrada por algoritmos, robôs digitais ou campanhas de manipulação em massa.
“O futuro da democracia brasileira não será decidido por máquinas, mas pela consciência livre do povo brasileiro”, afirmou.
Imprensa terá papel decisivo contra a desinformação
Em meio ao crescimento das fake news e da manipulação digital, a posse de Nunes Marques também reforçou a importância estratégica da imprensa profissional e do jornalismo responsável no processo eleitoral de 2026.
Num cenário em que a inteligência artificial pode ser utilizada para produzir vídeos falsos, montagens e conteúdos fraudulentos capazes de confundir o eleitor, o trabalho da imprensa séria ganha papel ainda mais essencial na checagem de informações, no esclarecimento da sociedade e na defesa da verdade factual.
A atuação dos jornalistas e dos veículos de comunicação deverá ser uma das principais barreiras democráticas contra a indústria da desinformação, sobretudo diante da expectativa de que as eleições de 2026 sejam as mais digitais e tecnologicamente complexas da história do Brasil.
Antonio Carlos Ferreira reforça confiança absoluta nas urnas
Durante a solenidade, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, também destacou os enormes desafios que o TSE enfrentará nos próximos meses.
Em seu discurso, o magistrado reafirmou total confiança no sistema eletrônico de votação e classificou as urnas como instrumento de paz social.
“As urnas são patrimônio da democracia e instrumento de paz social”, declarou.
Ferreira elogiou ainda a gestão da ministra Cármen Lúcia, especialmente pelo enfrentamento rigoroso às fake news e pelo pioneirismo na regulamentação do uso da inteligência artificial no ambiente eleitoral.
Cármen Lúcia deixa legado histórico no TSE
Ao encerrar sua passagem pela Presidência do TSE, a ministra Cármen Lúcia recebeu diversas homenagens e foi aplaudida de pé pelos integrantes da Corte.
Reconhecida por sua firme defesa da democracia, da participação feminina na política e do combate à desinformação, a magistrada deixa um legado histórico na Justiça Eleitoral brasileira.
Durante sua gestão, o TSE endureceu as regras contra deepfakes e conteúdos produzidos por inteligência artificial com potencial de manipular o eleitorado.
A ministra também coordenou operações logísticas históricas nas eleições municipais de 2024, garantindo votação em regiões afetadas por enchentes no Rio Grande do Sul e por seca severa na Amazônia.
O homem que comandará as eleições de 2026
Natural de Teresina, Nunes Marques tem 53 anos e integra o STF desde 2020. Antes disso, atuou como advogado, juiz eleitoral e desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Agora, assume uma das mais importantes missões institucionais da República: conduzir as eleições presidenciais de 2026 em um ambiente de alta polarização política, avanço tecnológico e crescente pressão sobre as instituições democráticas brasileiras.
Carlos Magno
Jornalista DRT/PA 2627
Com informações do Tribunal Superior Eleitoral.