A Queda do Ex-Ditador Líbio Muamar Kadafi
O anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na madrugada deste sábado (28), em sua rede social Truth Social, sobre um ataque dos EUA ao Irã — com participação de Israel — que segundo analistas, poderá culminar com a queda do regime dos Iatolás, me remeteu imediatamente a um dos momentos históricos mais marcantes da minha carreira como jornalista. Ao assistir ao discurso pela CNN Brasil, recordei-me de um episódio que entrou para a história das relações internacionais e que eu tive a oportunidade de testemunhar de perto.
Era 11 de março de 2011, e eu estava no Palácio do Planalto, em Brasília, cobrindo a visita oficial do então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Durante o pronunciamento no salão de imprensa, Obama anunciou que havia autorizado países aliados a realizar ações militares contra a Líbia, em um movimento que culminaria com a queda do regime do ditador Muamar al-Kadafi.
A partir daquele anúncio, o mundo passou a acompanhar intensamente os desdobramentos da intervenção internacional na Líbia, que se intensificou ao longo dos meses seguintes. O regime de Kadafi, que havia governado o país por quatro décadas, entrou em colapso durante a Primeira Guerra Civil Líbia.
Em 20 de outubro de 2011, o ditador foi capturado e morto na cidade de Sirte, seu local de nascimento — marcando o fim definitivo de seu governo e encerrando um capítulo de extrema violência e turbulência para o país.
Eu, filho de colonos às margens da então poeirenta Transamazônica, que cresci com um simples rádio de pilha como janela para o mundo exterior, estava ali diante de chefes de Estado e decisões que moldaram a política internacional do século XXI. Essa lembrança — de um anúncio histórico cuja repercussão se prolongaria por anos — me faz refletir sobre os ciclos políticos e as correlações entre eventos globais e nossas vidas diárias, mesmo para quem quase não teve contato com informações além do alcance de ondas de rádio.
Carlos Magno
Jornalista — DRT/PA 2627