O uso excessivo de celulares e redes sociais entre adolescentes deixou de ser apenas um hábito moderno — e passou a se consolidar como um grave problema de saúde pública. O alerta ganhou ainda mais força após a exibição do documentário “Anatomia do Post”, levado ao ar pela TV Globo, que expôs histórias reais de jovens afetados pela dependência digital no Brasil.
A produção apresentou casos de adolescentes que enfrentam ansiedade, depressão, baixa autoestima e até isolamento social em decorrência da pressão das redes. Em situações mais graves, o conteúdo revelou jovens expostos a ambientes virtuais perigosos e comportamentos de risco.
E essa realidade não está distante.
PROBLEMA JÁ É SENTIDO EM CANAÃ DOS CARAJÁS
Em entrevista, a psiquiatra Érica Oliveira Alves confirma: o problema já chegou com força ao município.
Segundo a especialista, cresce o número de adolescentes que apresentam sintomas relacionados ao uso excessivo de telas, como irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações no sono e sofrimento emocional.
“Hoje já é comum recebermos jovens com sinais claros de dependência digital. Muitos não conseguem se desconectar, e isso impacta diretamente a saúde mental e a vida escolar”, alerta.
ANSIEDADE, COMPARAÇÃO E PRESSÃO POR ACEITAÇÃO
Um dos pontos mais preocupantes, segundo a psiquiatra, é a comparação constante nas redes sociais.
Adolescentes acabam medindo seu valor pessoal com base em curtidas, seguidores e padrões muitas vezes irreais — o que pode gerar frustração, insegurança e até quadros depressivos.
“O cérebro do adolescente ainda está em formação. Ele é mais vulnerável a estímulos de recompensa rápida, como os das redes sociais”, explica.
O uso excessivo de redes sociais, especialmente no período noturno, estimula a liberação de neurotransmissores como a dopamina, associada à sensação de prazer e recompensa. Esse estímulo constante mantém o cérebro em estado de alerta, dificultando o relaxamento necessário para o início do sono. Além disso, a exposição à luz azul das telas inibe a produção de melatonina, hormônio responsável por regular o ciclo do sono.
Em adolescentes, que já apresentam uma tendência natural a dormir mais tarde, esse efeito é ainda mais intenso, podendo levar à insônia, sono de má qualidade e prejuízos no desempenho escolar e na saúde mental.
CONFLITOS DENTRO DE CASA AUMENTAM
O impacto não se limita aos jovens. Dentro de casa, o celular tem sido motivo frequente de conflito familiar.
Pais relatam dificuldades para impor limites, enquanto adolescentes reagem com irritação, isolamento e, em alguns casos, crises emocionais ao serem privados do acesso ao aparelho.
“Já acompanhamos situações em que a retirada do celular gera reações intensas. Isso evidencia o nível de dependência que muitos já desenvolveram”, destaca a especialista.
EXPOSIÇÃO PRECOCE PREOCUPA ESPECIALISTAS
Outro ponto de alerta é o contato cada vez mais precoce com telas.
Crianças ainda na primeira infância já utilizam celulares como forma de entretenimento — prática que pode comprometer o desenvolvimento cognitivo, emocional e social.
“O uso precoce pode afetar a linguagem, a atenção e até a capacidade de interação social da criança”, afirma.
EXISTE TRATAMENTO — MAS PREVENÇÃO É FUNDAMENTAL
De acordo com a psiquiatra, existem tratamentos e acompanhamento terapêutico para casos mais graves. No entanto, a prevenção continua sendo o melhor caminho.
Entre as principais recomendações estão:
Estabelecer limites claros de uso
Evitar o uso do celular antes de dormir
Incentivar atividades físicas e sociais
Promover o diálogo dentro de casa
Dar o exemplo — reduzindo também o uso entre adultos
ALERTA PARA PAIS E ADOLESCENTES
A especialista reforça que a tecnologia não é a vilã — mas o uso sem controle pode trazer consequências profundas.
“O celular precisa ser uma ferramenta, não uma dependência. O equilíbrio é fundamental para preservar a saúde mental dos jovens”, conclui.
REFLEXÃO URGENTE
O avanço da tecnologia trouxe facilidades, mas também novos desafios. Em Canaã dos Carajás, assim como em todo o Brasil, cresce um problema silencioso — que se instala dentro de casa, muitas vezes sem ser percebido.
A pergunta que fica é: quem está no controle — o adolescente ou o algoritmo?
ATENDIMENTO MÉDICO ESPECIALIZADO
A Dra. Érica Oliveira Alves realiza atendimentos particulares no Instituto de Saúde Oliveira, localizado em área central e de fácil acesso em Canaã dos Carajás.

Endereço: Avenida Weyne Cavalcante, nº 657 (altos) – Centro – Canaã dos Carajás/PA
Contato: (94) 99290-4549
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Carlos Magno
Jornalista DRT/PA 2627